Há quem atravesse o Passeio Pedra Branca em diversas oportunidades sem nem perceber que está fazendo isso há anos. Em março, é o Saint Patrick’s Day que transforma o mesmo espaço em uma festa da Irlanda na Palhoça. No meio do ano, o Arraiá se integra ao movimento comum das pessoas que trabalham, almoçam e frequentam esse local. Em dezembro, é o Natal Encantado que reúne a comunidade inteira em torno da festividade. À primeira vista, são apenas eventos e encontros. Na prática, ajudam a construir algo que urbanistas e planejadores chamam de placemaking.
O termo é recente no vocabulário do setor, mas a ideia por trás dele não é nova. Um espaço só vira lugar de fato quando as pessoas se apropriam dele. “É o conceito de lugar que as pessoas gostam de estar, em que espaços foram feitos e pensados para elas se encontrarem. Ambientes que promovem a convivência e a criatividade”, resume Patrícia Philippi, diretora-executiva da Hurbana, em entrevista recente à ADIT Brasil. Segundo ela, esse processo vai além do projeto arquitetônico. Um espaço público precisa continuar vivo depois de pronto. Isso significa investir não apenas em infraestrutura, como mobiliário urbano, paisagismo e segurança, mas também em uma programação capaz de incentivar o uso cotidiano do local.
No Passeio Pedra Branca, essa ocupação acontece de forma contínua. Eventos como o Saint Patrick ‘s Day e o Natal Encantado se consolidaram no calendário da Grande Florianópolis e fazem com que milhares de pessoas retornem ao espaço ano após ano. Ao mesmo tempo, o empreendimento reúne mais de 50 operações comerciais, frequentadas diariamente por moradores, estudantes e trabalhadores da região, criando um fluxo constante que vai além das datas comemorativas.
Para Patrícia, entender como as pessoas utilizam esses espaços também passou a depender da tecnologia. Sensores urbanos e ferramentas de análise de dados ajudam a identificar padrões de circulação, horários de maior movimento e formas de ocupação, permitindo que a gestão tome decisões mais assertivas. “A tecnologia tem um papel importante, sim, para entender esse lugar. Ela vai ajudar a condensar dados, para que a gente tenha um projeto e uma gestão cada vez mais assertiva”, afirma.
Ainda assim, ressalta que a tecnologia funciona como ferramenta, e não como protagonista. São os hábitos das pessoas que determinam se um espaço realmente se transforma em um lugar de convivência. Permanecer, caminhar, encontrar conhecidos, participar de eventos. Essa é uma distinção importante porque, à medida que o conceito de placemaking ganha espaço no mercado imobiliário, também cresce o risco de reduzi-lo à construção de áreas bonitas ou à realização de eventos pontuais. O processo só acontece quando o projeto dialoga com a identidade da comunidade e responde aos hábitos de quem frequenta aquele espaço.
No Passeio Pedra Branca, essa relação vem sendo construída ao longo dos anos. Cercado por universidades, empresas e áreas residenciais, o empreendimento passou a integrar a rotina de quem vive e circula pela região. E a cada ano, reúne ainda mais pessoas que sentem que pertencem a este lugar.










