O crescimento das cidades brasileiras ao longo do século XX alterou profundamente a paisagem natural. Rios foram canalizados, áreas verdes deram lugar à urbanização e a vegetação passou, muitas vezes, a ocupar um papel secundário no planejamento urbano. Em grande parte das cidades, o contato cotidiano com a natureza tornou-se cada vez mais escasso.
O custo disso começou a se refletir na saúde das pessoas. Pesquisas publicadas no International Journal of Environmental Research and Public Health mostram que a convivência com áreas verdes urbanas está associada à redução da demanda por serviços de saúde mental, consultas psiquiátricas e tratamentos para distúrbios psicológicos. Um estudo publicado na revista Science Advances chegou a apontar que pessoas com acesso regular a espaços verdes têm, em média, uma idade biológica 2,5 anos mais jovem. Os estudos reforçam uma relação já observada na prática: a proximidade de áreas verdes influencia positivamente a saúde física e mental.
O desafio que se coloca hoje para o urbanismo é o de integração real, onde natureza e cidade sejam pensados juntos desde o início dos projetos. O resultado é uma vegetação que permite sombra para as pessoas caminharem, água em locais onde as crianças brincam, praças que funcionem como um respiro no meio da urbanização. Um paisagismo que cria as condições para que alguém queira ficar, e não só passar.
O Passeio Pedra Branca, na Palhoça, foi concebido a partir dessa compreensão. Projetado pela Gehl Architects, escritório fundado por Jan Gehl, referência mundial em urbanismo humanizado, o espaço organiza suas diferentes áreas em torno da vegetação. A maior densidade arbórea pré-existente no terreno foi aproveitada para criar zonas sombreadas e mais íntimas no meio da praça. O espelho d’água, com bordas suavemente inclinadas, aparece como elemento lúdico e social. As árvores de copas altas garantem visibilidade, segurança e acolhimento ao mesmo tempo. A rua e o paisagismo se entrelaçam, em vez de um ceder espaço para o outro.
A presença da natureza influencia diretamente a forma como os espaços urbanos são utilizados. Árvores, áreas de permanência, sombra e água qualificam a experiência cotidiana, favorecem caminhadas, ampliam o tempo de permanência nas áreas públicas e fortalecem a relação das pessoas com a cidade. Essa compreensão orienta os projetos desenvolvidos pela Hurbana e integra paisagismo, mobilidade e convivência como partes de uma mesma estratégia urbana.










