Existe uma escola inteira de urbanismo dedicada a uma pergunta simples: o que faz as pessoas ficarem num espaço público em vez de só atravessá-lo. O arquiteto dinamarquês Jan Gehl passou décadas medindo isso, contando quantas pessoas paravam, sentavam, conversavam ou simplesmente ficavam olhando o movimento em praças ao redor do mundo. O nome do livro que resumiu esse trabalho, publicado em 2010, é Cidades para Pessoas, o mesmo princípio que dá nome à Hurbana e que orienta, agora, a revitalização da Praça do Espelho d’Água, na Cidade Criativa Pedra Branca, em Palhoça.
As obras começaram em agosto, com previsão de cerca de 90 dias, e vão qualificar infraestrutura, acessibilidade, paisagismo e mobiliário urbano do espaço, mantendo o que já funciona nele. Um estudo da UFSC sobre uso e apropriação de espaço público, com a Praça Santos Dumont, no bairro Trindade, como objeto de análise, chega a uma conclusão que ajuda a explicar por que esse tipo de manutenção importa.
Espaços públicos bem-sucedidos concentram uma diversidade grande de formas de uso simultâneas, crianças brincando, pessoas de passagem, comércio ambulante, encontro marcado, e é justamente essa diversidade de apropriação que sustenta a vitalidade do lugar ao longo do tempo. Uma praça que só serve para uma coisa tende a esvaziar. Uma que acumula várias funções ao mesmo tempo se mantém viva, mas exige manutenção constante.
É esse desgaste que motiva a obra agora. Ao longo dos últimos anos, a Praça do Espelho d’Água se consolidou como um dos principais pontos de encontro da Cidade Criativa Pedra Branca: sediou feiras, apresentações culturais, atividades esportivas e a rotina dos encontros entre vizinhos. Cumpriu, na prática, exatamente o tipo de multiplicidade de uso que a pesquisa em espaço público associa a praças bem-sucedidas. O retrofit chega como resposta a esse próprio sucesso.
“As cidades são organismos vivos. À medida que as pessoas passam a utilizar mais intensamente os espaços públicos, também surge a necessidade de atualizá-los para que continuem a oferecer conforto, segurança e qualidade. Essa revitalização faz parte do processo natural de evolução da Cidade Pedra Branca“, afirma Daniel Nobre, gerente de negócios da Hurbana, Cidade para as Pessoas.
O planejamento das benfeitorias, que incluem novo paisagismo, mobiliário, acessibilidade, iluminação e novos equipamentos, contou com a participação direta de quem usa a praça todos os dias: a Associação de Moradores, a Rede Materna e os lojistas da região. Durante o período de obras, o espaço ficará temporariamente fechado, e a programação cultural, esportiva, gastronômica e de lazer que normalmente acontece ali será redistribuída para outros pontos do Passeio Pedra Branca, para que a rotina da comunidade não pare enquanto a praça se prepara para o próximo ciclo de uso.










